Monday, December 15, 2008

Esquerdas, esquerdismo e "esquerdosos"



Não fiquem com a ideia errada, sou de esquerda, mas isso não me impede de ter vontade propria que tantos sacrificaram em prol de ideias, curiosamente existem mais assim na esquerda portuguesa do que na direita.
Ora bem, realizou-se este domingo um forum sobre democracia e serviços publicos, no qual participaram varios individuos do ps, do bloco e renovadores comunistas; sinceramente achei o 1 comicio bem melhor (é como certos albums de musica) mais participativo, e neste vi uma repetição com a novidade de uma possibilidade de criação de um partido politico ou quiçá outro movimento (como o "invisivel mic do manuel alegre).
Acho mal e acho bem; acho bem porque de facto estando o ps como esta, e sendo o bloco composto por alguns radicais, existe mais do que espaço para um partido entre o ps actual e o bloco; acho mal porque o manuel alegre nao tem capacidade para liderar já nenhum partido, e porque possui alguns valores tradicionais de uma certa esquerda, que são como as praxes, já desapareciam.
Infelizmente pessoas com bom senso e realismo sao raras em todo o lado, em portugal são ate ver uma especie quase extinta, e desse facto se alimenta o centro politco e a esquerda.
A direita em portugal, direita de nome digno, sejamos francos é fraca, cds e pnr juntos nao chegavam aos 4% tendo em conta que em certos paises europeus atingem 20% ou valores la perto desse, de intenções de voto.
O Centro esse esta vivo e infelizmente de boa saude, e não é um centro de equilibrio de ideias, é um centro de interesses, onde nada se faz, ou só a muito custo e com insistencia para mudar de facto a sociedade, é o gerencialismo, um pouco como as acções da bolsa em que o PSD é doutorado e o PS tem plo menos mestrado na area.
E depois temos a esquerda tuga, herdeira de um passado republicano e maçonico, cheia de lirismo, idealismo, elitismo e outros ismos, que fala, fala mas ninguem os vê a propôr alternativas que nao passem por nacionalizações a 90%, saida de natos, onus, etc etc; eu ja fui partidario desta ideologia, quando era mais inocente, mas pragmatismo Q.B é preciso na politica especialmente quando uma parte importante dela nao depende de nós mas de uma entidade chamada BCE e leis da UE que subscrevemos e que temos de gramar quer queiramos quer não.
Assim a dita esquerda acaba por fazer um grande favor à direita e ao eterno centro, ao assustar as pessoas, ao ser incapaz de transmitir confiança, seja pelo seu ideario demasiado complexo, idilico para a maioria das pessoas, seja pelo facto de muitas vezes não falarem claramente, mas afinal o PCP defende o sistema parlamentar como esta, ou apoia mesmo e pretende seguir os exemplos de cuba, koreia do norte, china e outros excelsos exemplos de democracia?? O Bloco tem uma unica ideologia ou varias sensibilidades e qual delas é a lider, esta preparado para fazer compromisos?? Quer ser alternativa de governo?? Estas questões nunca são frontalmente respondidas, com pena minha e de muitos portugueses creio.
Acho positivo que partidos politicos tentem achar convergencias, mas convergencia implica tambem cedencia de parte a parte, sou honesto gostava imenso de ver o ps coligado com o bloco e que fosse dado ao bloco as pastas do ambiente, cultura, educaçao e ensino superior que creio ser as areas onde mais os governos falham e mais "gerem" sem mudar, mas dificilmente acredito nessa possiblidade porque nem o ps nem o bloco irão fazer cedencias fundamentais um ao outro, perdem os portugueses, o egoismo e a infantilidade abundam na politica portuguesa.
Espero que no meio de tanta conversa, venha de facto um partido de esquerda q nao esteja preso ás correntes de marx, trotsky ou lenine, mas que seja herdeiro dos valores mais basicos do humanismo e da interdependencia, que saiba que se pode mudar a vida das pessoas para melhor atraves da acçao governamental, que é preciso melhorar e aumentar nalgumas areas (diminuir noutras) o papel do estado, e dos serviços publicos essenciais a uma sociedade justa, mas que abandone o sonho de um mundo e sociedade perfeitas, porque esse nunca existiu e dificilmente existirá.

5 Comments:

Blogger PQ said...

Mais um partido, menos um partido...quando o enfoque essencial é o povo que temos, o povo que nem governa nem se deixa governar. Especialistas em todos os temas, opinamos com a liberdade que a pouca profundidade da nossa cultura média nos permite e com a alegria de quem sabe que não vamos arriscar um vintém para mudar seja o que for.
Um novo partido poderia, no entanto, ser um lufar de ar fresco entre o imobilismo conceptual do PCP e as ideias meio distanciadas da realidade do BE. Vamos ver o que isto vai dar, de qualquer modo uma coisa é certa, alguém se move, e mover-se simplesmente, neste país de acomodados mentais, já é uma razão de júbilo.

5:27 PM  
Anonymous voice_Of_The_Opressed said...

bem vindo PQ, de facto é verdade temos medo de arriscar, e pelo facto de o manel se ter movido, ter tido esta iniciativa é de louvar certamente, espero que dê nalguma coisa em concreto e não num futuro mic...

6:21 PM  
Blogger Charlie, The Sinner said...

Pois, mas não podemos mudar quem manda quando nem nós (os portugueses) nos dignamos a mudar! E se há coisa na qual somos especialistas é em falar daquilo que não conhecemos. Vamos ver o que sucede :\

Beijinho

7:17 PM  
Blogger DRACULEA Café Bar said...

Bom post, cheio de matéria por onde lhe pegar! Arrisco a dizer: ao teu melhor estilo!
No entanto, e para não ser muito maçudo, vou pegar apenas em duas questões que colocas:

1 - se o Bloco pretende (ou não) ser uma alternativa ao Poder? Respondo eu pelo Bloco (como tu provavelmente), uma vez que não preciso que o Bloco diga que sim ou que não: o Bloco não é nem nunca será uma alternativa porque, primeiro, não quer (a sua maior riqueza é também a sua maior falha: a pluralidade de sensibilidades políticas que impedem o traçar de um rumo coerente e responsável); em segundo, não pode (o Bloco é, por natureza, um movimento de anti-poder, um partido onde se poderá votar apenas e só para equilíbrio de forças do centro-esquerda e do centro-direita, nunca para ser poder).

2 - se o PCP "apoia mesmo e pretende seguir os exemplos de Cuba, Coreia do Norte, China e outros excelsos exemplos de democracia"? A resposta é SIM, claramente SIM! E aqui não sou eu que o digo, foi o próprio PCP que o disse no seu último congresso onde aplaudiu de pé (DE PÈ) um representante do Partido Comunista Cubano que trouxe uma fotografia dos "hermanos Castro" para oferecer ao Comité...

Abraço e a malta vai se lendo!:)

1:52 PM  
Anonymous Anonymous said...

Antes o Fidel que mil Dráculas!

8:26 PM  

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